Dia
Hoje, faz sete dias. O Sol penetra a janela, reflete os valores no teto. Hoje, faz seis dias. O sol penetra a cortina, reflete no vidro. O telemóvel toca. Tenho uma entrega. A certa altura, faz cinco dias. O sol adentra a mesa, sem cerimônia, ilumina a mão, reflete sobre a prata no dedo. O metal trabalha sobre a pressão constante de adição. Adiciona tanto, contenho a mão a distância. O sol penetra por entre as copas das árvores, reluz sobre o verde ao chão. A perna retraída, apoia o papel escrito,” Goals”. Ontem, faltou um dia. A nossa querida fofa diria, vamos dobrar a metade, que seja. Pessoas passam por mim. Já estou a uma semana com essa dor, deveria procurar um médico, a eles diriam. O capitalismo não aconselha, mas opina, a dor sempre aumenta com a falta de sorte. Câncer terminal, não ajuda, lutemos contra. É cabeçalho do jornal matutino. Jornal é vendido, eu sou um “não imprensa”. Luto obstinadamente contra a informação. Sou e serie sempre um lutador. Lutador? As vezes faço boas piadas. Capitalismo? Câncer? Meu dedo queimando. Preciso ir ao hospital, olha só esse dedo. Para quê fui abrir aquela janela. Saramago compara a janela, a janela da alma a um olho de falcão. No final ele inevitavelmente se tornou um otimista. O mais otimista dos pessimistas. Preciso cessar essa caminhada, já não tenho idade para isso, afinal faz 8 dias.
